domingo, 28 de novembro de 2010

A Razão Somente

Os racionalistas alegam que toda verdade pode ser descoberta pela razão humana. Pode-mos citar dois pensadores que defendem essa tese, Emanuel Kant e Benedito Spinoza.
Acreditar desta maneira seria ignorar as revelações contidas na Bíblia, que é o nosso código de ética, e foi escrita por homens inspirados por Deus e cheios do Espírito Santo.
Em Deuteronômio 29.29 ,diz: Que as coisas encobertas permanecem ao Senhor Nosso Deus; porém as reveladas pertencem a nós e a nossos filhos para sempre,para que cumpramos todas as palavras desta lei.
Paulo também enfatiza em Efésios 1.17; para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o pai da glória , vos conceda Espírito de Sabedoria e de Revelação no pleno conhecimento dele.
Deus sempre revelou a sua palavra a sua igreja, e continuará revelando a todos aqueles que o buscam verdadeiramente.

Luciane Abdon e Marcelo Augusto (Acadêmicos do curso de Bacharelado em Teologia, pela Faculdade de Teologia, Filosofia e Ciências Humanas Gamaliel)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Eu estou à porta e bato



Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos. "Aos que conseguirem a vitória eu darei o direito de se sentarem ao lado do meu trono, assim como eu consegui a vitória e agora estou sentado ao lado do trono do meu Pai. "Portanto, se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam o que o Espírito de Deus diz às igrejas."

APOCALIPSE 3.20-22

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Na Corda Bamba



A vida e os passos de um cristão renascido se assemelham à caminhada sobre uma corda bamba. Um filho de Deus não deve pender nem para a direita nem para a esquerda, mas cuidar para manter sempre o equilíbrio. O autor tem grande urgência em falar com você sobre este equilíbrio tão importante para a sua vida de fé.

Há algum tempo li a seguinte notícia:

Falha tentativa de quebra de recorde mundial na Suíça.
No sábado à noite, depois de caminhar cerca de 600 metros sobre os cabos de sustentação do teleférico da montanha Säntis, o equilibrista Freddy Nock, de 40 anos, teve de desistir de sua tentativa de quebra de recorde. Por motivos até agora desconhecidos, a vara de equilíbrio escorregou das suas mãos, de forma que ele não pôde continuar. Nock conseguiu segurar-se no cabo e descer imediatamente para o bondinho do teleférico que o acompanhava. O equilibrista Freddy Nock, originário da cidade de Müllheim, no cantão de Thurgau, pretendia subir pelos cabos do teleférico até a estação da montanha. Mas ele só conseguiu percorrer 600 metros.

A sua vida como cristão também não se parece muitas vezes com a caminhada sobre uma corda bamba? O desfiladeiro sem fim se abre debaixo de você, e adiante está apenas um caminho muito inseguro. Como o equilibrista, você sobe a montanha, em direção ao Senhor. Mas você só consegue dar um passo por vez, timidamente, num esforço extremo para não perder o equilíbrio.

O equilibrista teve de desistir de sua tentativa de quebrar um recorde mundial porque tinha perdido a vara de equilíbrio. Você também não conseguirá avançar espiritualmente se perder o equilíbrio entre o legalismo e o mundanismo.



Também para os cristãos é muito importante encontrar o equilíbrio entre direita (legalismo) e esquerda (mundanismo). Nem um, nem outro lado é correto. Só quando você encontrar o equilíbrio é que a glória de Jesus pode ser refletida em sua vida: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3.18). Também 2 Coríntios 2.15 fala algo a respeito: “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem”. Só que essa glória não pode ser obtida por meio de legalismo ou amizade pecaminosa com o mundo, mas apenas se você levar isto em conta: “Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame” (Sl 34.5). Você brilha assim por Jesus?
No momento em que você se sobrecarregar com atitudes legalistas ou brincar com o pecado, a glória sairá de sua vida!

Legalismo

O legalismo, isto é, a idéia de que é preciso contribuir de alguma forma para a própria salvação, está profundamente arraigado no coração do homem. Isso pode ser visto até mesmo na época dos Atos dos Apóstolos (no tempo da igreja primitiva). Quando o carcereiro de Filipos se abriu para o Evangelho, sua primeira pergunta foi: “Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” (At 16.30). A iniciativa de agir é totalmente humana e permeia todas as religiões. O budismo, por exemplo, exige: “Anule-se para penetrar no eterno nada”. O islamismo ensina: “Cumpra os mandamentos do profeta e Alá terá misericórdia de você”. E a igreja católica diz: “Receba os sacramentos e faça o bem, para ganhar o céu”.

Para nós, seres humanos, é difícil aceitar algo de graça ou não retribuir um presente. Um missionário alemão teve uma experiência dessas: a fim de chamar a atenção para o Evangelho, certo dia ele se sentou no chão no meio de um movimentado calçadão de pedestres. Na sua frente, ele tinha um pote com moedas e uma plaquinha que dizia: “Recebi muitos presentes, por favor, aceite um pouco”. As pessoas passavam e sacudiam a cabeça. Era muito raro alguém criar coragem e tirar alguma coisa do pote. Provavelmente pensavam: “Como assim, simplesmente pegar dinheiro, sem precisar fazer nada por isso? Com certeza aí tem alguma pegadinha. Acho que ele está só querendo se divertir às nossas custas”.

A iniciativa de agir é totalmente humana e permeia todas as religiões. O budismo, por exemplo, exige: “Anule-se para penetrar no eterno nada”.

E o céu? Ele pode ser obtido de forma gratuita! Alguém pagou o ingresso na cruz do Gólgota. Você não precisa fazer nada. Não é preciso jejuar nem praticar exercícios de meditação para satisfazer a Deus. Basta aceitar a oferta!

Mas, infelizmente, muitas pessoas se esforçam; elaboram regras e tentam alcançar a maior perfeição possível. Isso nem mesmo é uma atitude nova. Até na igreja primitiva havia quem defendesse esse conceito: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15.1). Naquela época, a Igreja de Jesus tinha só alguns anos de idade. Mesmo assim, o fantasma do legalismo já havia conseguido espaço. Mas Paulo se opôs terminantemente a esse processo: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo. (...) Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados. (...) Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2.8,16,20-23). Ainda mais claro é o seguinte texto: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição” (Gl 3.10). O legalismo desvia, pois acaba com a liberdade em Cristo. Até mesmo a glória de Jesus perde o brilho; a graça cede ao mérito próprio. A vida eterna não é mais um presente de Deus, mas uma recompensa pelos próprios esforços.

Mundanismo

A advertência é inequívoca: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). Sendo cristão, brincar com o pecado é perigoso! A corda bamba da fé não permite testes deste tipo: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.1-3).

Árvore plantada junto a corrente de águas, assim é aquele que não brinca com o pecado!

Por favor, não se engane: Deus é santo! Ele não vai e não quer aceitar um estilo de vida pecaminoso, mesmo que este seja socialmente aceito e cultivado por certos cristãos. É impossível cruzar a corda bamba da fé nessa falsa liberdade: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
Princípios

Em todo o Antigo Testamento valia a lei que Deus tinha dado a Moisés: “O homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela” (Rm 10.5). “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo” (Dt 27.26). A Antiga Aliança é exigente. Ela diz: “Você deve!”

Já os cristãos são chamados para a liberdade: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17). “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1).

Liberdade

Para a igreja de Jesus vale o seguinte princípio: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Os crentes da Nova Aliança não estão mais debaixo da lei, mas desfrutam da liberdade em Cristo: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Liberdade é a grande manchete do Novo Testamento: livres da lei, livres da escravidão do pecado, livres para servir a Deus da forma certa! Mas a Bíblia adverte contra a tentação de levar uma vida pecaminosa com a desculpa de viver em liberdade: “Como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus” (1 Pe 2.16).

Paulo enquadra a liberdade em Cristo com uma moldura que não deve ser quebrada. Essa moldura se chama amor: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.13-14). O próprio Senhor Jesus também disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34). Esse amor determina os limites.


Liberdade é a grande manchete do Novo Testamento: livres da lei, livres da escravidão do pecado, livres para servir a Deus da forma certa!

Entretanto, a palavra “amor” não significa o hoje tão banalizado sentimento “eros”, mas: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.4-7).
Um cristão renascido, que respeita essa moldura, sabe exatamente onde estão os limites. Isso vale em todos os sentidos: nos pensamentos, nos relacionamentos, no trato com o cônjuge e os filhos, no lazer, etc. A Bíblia diz a respeito: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (Jo 16.13). Assim, a sua pergunta não deve ser o que pode ou não pode ser feito, mas: “Estou permitindo que o Espírito de Deus me guie?” O Espírito de Deus nunca ultrapassa a moldura do amor (como descrita acima). Ele também não dá conselhos contrários à Palavra de Deus.

Quando você aprender a viver dentro da moldura da liberdade em Cristo, o Salmo 34.6 se tornará realidade na sua vida: “Contemplai-o e sereis iluminados”.
Moisés ocultou seu rosto depois de ter recebido a lei. Ele fez isso como símbolo do fato de que o brilho da lei desvanece (cf. 2 Co 3.9-13). A lei escraviza as pessoas. Ela precisa dar lugar a algo melhor, isto é, ao Evangelho, que leva à liberdade: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.14-16).

Liberdade divina

A liberdade só funciona se o direito do próximo for respeitado. Do contrário haverá violência e anarquia. Paulo explica como você pode praticar a liberdade em Cristo no seu dia-a-dia: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.25-27).

O seu relacionamento com Jesus deve ser como o relacionamento de duas pessoas que casam por amor: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.31-32).
As regras da liberdade

1. Deixar

Duas pessoas que se amam do fundo do coração só têm um desejo: deixar a casa dos pais o mais rapidamente possível. Querem estar com o parceiro que lhes significa tudo. O amor move montanhas. Você também não deixaria seu lar por amor a alguém? O amor já fez pessoas abdicarem de tronos e heranças. E o amor nunca é forçado.


 Quando alguém realmente ama, “deixar” não é uma obrigação, mas o mais profundo desejo do coração.
Como cristão, você deveria se perguntar regularmente: “Eu também amo Jesus desse jeito?” Se você fizer isso, abandonar os hábitos, amigos e locais pecaminosos não será mais problemático. Quando o amor ardente por Jesus encher seu coração, esse abandono será um fato. Jesus ocupa o primeiro lugar em sua vida?

2. Unir-se

Pessoas apaixonadas têm muita dificuldade de se desgrudar uma da outra. Você também é tão ligado a Jesus?

Pessoas apaixonadas têm muita dificuldade de se desgrudar uma da outra. Minha esposa e eu muitas vezes fazemos caminhadas no fim da tarde. Recentemente vimos um casalzinho jovem durante um desses passeios. Os dois estavam tão enamorados que não viam mais nada ao seu redor. Abraçavam-se sem querer se largar. Você também é tão ligado a Jesus?

Namorados trocam constantemente torpedos pelo celular, acenam à distância mesmo quando quase não se enxergam mais e conversam horas ao telefone. Você também é tão ligado a Jesus?


Quem está ligado a Jesus não pode estar ao mesmo tempo ligado ao mundo: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mt 6.24).
Quando fiquei noivo de minha esposa, ela me escrevia muitas cartas. Algumas tinham até doze páginas. Você também é tão ligado a Jesus?

Há pouco tempo, quando visitávamos amigos, o filho do casal se despediu com as seguintes palavras: “Vou dar uma volta com minha namorada”. Depois de uma hora e meia eles ainda não tinham voltado. Você também é tão ligado a Jesus?

Quem está ligado a Jesus não pode estar ao mesmo tempo ligado ao mundo: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mt 6.24).

3. Tornar-se uma só carne

O objetivo de qualquer relacionamento é tornar-se um com o outro pela entrega mútua. Você também se entrega assim a Jesus?

“As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.7).

Quando duas pessoas se entregam uma à outra, isso pode gerar frutos físicos. O mesmo vale para seu relacionamento com Jesus: quando você Lhe dá seu amor e é um com Ele, deve haver fruto espiritual! Paulo escreve a respeito desse fruto: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).
Amor e liberdade são como gêmeos siameses; são inseparáveis. Esta é uma lei divina básica: o amor que se doa sempre pressupõe liberdade de decisão. O amor verdadeiro só prospera onde não há pressão. O amor não pode ser forçado; no máximo pode haver esperança, mas nunca exigência. Quando houver amor, você experimentará o seguinte: “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.7).

Você realmente ama a Jesus e está disposto a abandonar tudo, unir-se a Ele e tornar-se um com Ele? Dê você mesmo a resposta a seu Senhor.

(Samuel Rindlisbacher)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Caráter do Professor da Escola Bíblica Dominical


“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” - 1 Timóteo 4.16



 
O que é caráter? Qual é o caráter do professor de escola dominical? Quanto a sua função de mestre como deve ser diante de Deus, dos homens e de si mesmo? Quantos professores hoje podem ser exemplificados como verdadeiros mestres de caráter? Essas e outras questões podem ser respondidas a luz da Palavra de Deus. Assim sendo, nosso objetivo é discutir numa análise bíblica e epistemológica o caráter do professor da Escola Bíblica Dominical (EBD).

I. O que é o caráter?

Segundo a etimológica grega da palavra, kharaktêr,eros significa “o que grava, sinal gravado, marca, traço particular do rosto, natureza particular de alguém e marca de estilo”. Um conjunto de traços psicológicos e/ou morais sendo estes positivos ou negativos, que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas. Segundo Heráclito de Éfeso (VI a.C) é o conjunto definido de traços comportamentais e afetivos de um indivíduo, persistentes o bastante para determinar o seu destino.

Quanto à formação, o caráter pode ser entendido em dois aspectos: herança biológica, que são as características inatas, que correspondem cerca de 30% do caráter e a herança adquirida determinada pelo ambiente em que se vive através da educação, treinamento e cultura, que corresponde os 70% restantes do caráter. O caráter, portanto, é aquilo que o indivíduo faz como resultado daquilo que ele é enquanto ser social.

II. Aspectos de um caráter cristão?

1. Diligência: A marca comportamental de quem é diligente diz respeito ao cuidado ativo, ao zelo e ao esforço em realizar algo. Segundo o conselho do apóstolo Paulo é aquele que preside com responsabilidade não devendo ser preguiçoso em sua atividade pedagógica (cf. Rm 12.7). Deste modo, diligência é uma qualidade essencial ao professor de escola dominical que quer ser bem sucedido enquanto ministra a palavra de Deus (Pv 7.15; 10.4; 12.27; 1Co 10.31);

2. Piedade: É o exercício do amor e o respeito ardente às coisas de Deus. É parecer-se com Deus vivendo, diariamente, os preceitos divinos. É viver ao lado de Deus atendendo a todas as suas admoestações de como agir corretamente. Quem ensina a palavra de Deus precisa viver em íntima comunhão com o Senhor, cultivando um autêntico e profundo amor por Jesus Cristo e pelos ouvintes da verdade. É necessário está diante do trono da graça de Deus e se dedicar ao estudo e ao exercício da Palavra. Muitas pessoas podem até se titularem como professores de Bíblia, mas sem piedade não haverá êxito em sua carreira pedagógica (1 Tm 4.7,8; 2 Pe 1.3,6);

3. Humildade: A palavra vem do latim humilitate significando alguém que é singelo, simples e submisso. Esta é a grande virtude que deve ser cultivada por um servo de Deus, viver segundo a dependência do Espírito Santo. O melhor lugar para o homem aprender a humilhar-se é nos pés do Senhor Jesus. Ele deixou um exemplo de humildade com a sua vida e ministério, o qual todo servo de Deus deve seguir. Quem é mestre deve preservar o esquecimento de si mesmo em favor do conhecimento e o favor de Deus (Mt 11.29; Jo 13. 1-5; 2 Co 8.9; Tg 4.10; 1 Pe 5.6; Pv 29.23; Êx 3.4-6);

4. Honestidade: A obra do Mestre Jesus necessita de professores que transmitam a voz de Deus às pessoas, exigindo honestidade não apenas destes, mas daqueles. É preciso manter a ética na família, no trabalho, nos negócios e nas prestações de contas e serviços mantendo sempre a palavra. Outra observação é quanto ao crente que tem acesso ao dinheiro arrecadado pela escola dominical, cabe a este ser honesto no seu trabalho e ter o cuidado para não caí em tentação quanto ao tesouro da casa do Senhor. Honestidade é um caráter alinhado refletindo o que o professor ensina e vive (Gl 6.9; Êx 18.21);

5. Dignidade: É o modo de proceder gerando respeito, honra e grandeza moral. Quem ministra aulas exerce liderança e deve evitar manifestações juvenis que possam rebaixar o conceito de respeito dos seus liderados. Não deve haver atitudes pessoais indevidas com aqueles que o cercam nem tratamentos irreverentes ou imorais que venham prejudicar a posição que ocupa diante de seus alunos;

6. Equilíbrio: É preciso haver um equilíbrio entre a razão e a emoção de quem ensina. Quem domina suas emoções possui forças para contornar situações conflituosas entre indivíduos. A fim de ministrar uma aula com efeitos transformadores cabe ao professor não ir aos extremos, pois emoção e razão podem caminhar juntas. Outra observação é que unção do Espírito não é emoção e unção do Espírito caminha muito bem com a razão;

7. Fidelidade: Ser mestre da palavra de Deus é instruir seus ouvintes com atitude pedagógica e bíblica. Ser mestre fiel é ir além da transmissão do conhecimento, é ensinar, metodologicamente correto, com a mesma precisão e fidelidade que recebeu da ação do Espírito através do conhecimento bíblico. O texto paulino de 2 Timóteo 2.2 assevera: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” Portanto, cabe ao professor da EBD transmitir o conhecimento de Deus de forma fiel sem acréscimo ou alterações testamentárias;

III. Como desenvolver o caráter do professor da escola dominical?

1. Saiba investir tempo com a Palavra: Uma atitude essencial ao professor chamado por Deus é a busca constante do conhecimento de Deus e de sua Palavra. Ter o hábito de ler a Palavra de Deus é um privilegio de poucos e quem alcança de Deus esta proveitosa disciplina terá relevantes resultados em sua trajetória cristã. Portanto, escolha um lugar e um horário para ler a Bíblia e meditar na Palavra tendo grande proveito com o livro mais importante que a humanidade já teve (Cl 4. 16, 17; Js 1.8); Administre seu tempo, seja organizado e tenha força de vontade para estudar a Palavra de Deus. Quem não ler a Bíblia diariamente perde orientações vitais para a vida cotidiana (Dt 17.19; Sl 119.107; Ef 5.15,16; Sl 1.2);

2. Saiba investir tempo com a oração: Oração é a grande arma que promove espiritualidade, restauração, crescimento, conquista e resultados relevantes na vida cristã. O Senhor Jesus Cristo é o maior exemplo de quem ora. Por onde andou, fez e realizou, sempre praticou oração e ainda nos deixou o mandamento da oração (Mt 6.5-8; 14.23; 26.36; Lc 3.21; 1 Tm 2.1; Sl 139.23,24). Se o professor deseja ter um caráter cristão genuinamente espiritual deve orar a Deus diariamente;

3. Saiba ouvir e falar atentamente: As palavras de quem ensina são sementes no jardim de quem ouve, por isso é preciso dominá-las. É preciso policiar o que se fala desistindo dos pensamentos e palavras negativas, se preciso, mudar o vocabulário, dizendo palavra de vida, sabias e de incentivo em harmonia com as ações e, especialmente, com a palavra de Deus. O homem de Deus deve ser conhecido como uma pessoa que ouve e fala de maneira coerente, positiva, prudente, verdadeira e exemplar empregando os princípios elementares da vida cristã baseado na ética, na moral e nos primados bíblicos. (Mt 12.34; Fp 2.14,15; Jo 6.43);

4. Transmita o ensino fielmente com precisão bíblica: É urgente a investigação do conhecimento da Palavra de Deus para que se desenvolva uma crença madura, um ministério fecundo e preparado para toda boa obra. Quem recebeu de Deus o chamado e exerce um trabalho eclesiástico precisa conhecer profundamente a Palavra e reconhecer realmente quem é Deus. É necessário ter visão clara a respeito do sagrado livro e ter ouvidos abertos para o que Deus está dizendo. Quando se tem domínio das coisas de Deus há uma dinâmica poderosa contra as potestades do mal. Não seja mais um professor de escola dominical, mas seja um mestre aprovado por Deus, amadurecido, pronto e apto para exercer com excelência a atividade pedagógica de instruir e levar pessoas ao conhecimento de Deus (Os 6.3; 1 Co 3.9; Sl 126.6; Rm 10.15; 2 Tm 2.15; 2 Pe 3.18);

5. Aplique o conhecimento da Palavra a sua vida diária: O conteúdo bíblico é rico em sabedoria, graça, conhecimento, exortação, doutrina, bênção, conforto, segurança, paz, promessas, dons e ministérios, que precisam ser aplicados em quem ler. Um dos segredos para um ministério aprovado é o conhecimento das Sagradas Escrituras seguido de uma prática teológica. Quem não tem tempo para a leitura da Bíblia e não aplica cotidianamente sua mensagem, estar sentenciado ao fracasso ministerial e com característica suficiente para perder a comunhão e a intimidade com Deus. Bíblia não basta ler, é preciso viver (1 Tm 4.12-16; 2 Tm 2.15);

6. Não se envolva com negócios deste mundo: Uma das armas de muita eficácia que Satanás utiliza para coibir o êxito da igreja do Senhor Jesus Cristo é desviar os filhos de Deus de seus reais papéis envolvendo-os com coisas secundárias desvirtuando as verdadeiras necessidades e objetivos que a igreja precisa. O sucesso de um servo de Deus é proporcional ao zelo que tem pela obra do Pai. Quanto maior a responsabilidade com as coisas de Deus, maior será o galardão diante do tribunal de Cristo resultado daquilo que realmente se fez em prol do Reino de Deus aqui na terra (Pv 4.27; 2 Co 5.10; 1 Co 3.13; Mt 12.36-37);

IV. Considerações:

Uma das grandes exigências a aqueles que exercem o ministério do ensino é ter uma vida pessoal digna de aceitação. Além do conhecimento bíblico e doutrinário é imprescindível ao professor de escola dominical viver segundo aquilo que prega e ensina. O caráter, portanto, do professor de escola dominical é aquilo que ele faz como resultado daquilo que ele é não apenas enquanto mestre do ensino da Palavra de Deus, mas em todas as ações sócio-cristãs. Sendo assim, podemos gradativamente alcançar o padrão de servo fiel ao Senhor, a sua Palavra e aos homens. Eis alguns exercícios fundamentais ao do professor em sala de aula:

Haja de maneira cristã, honesta e confiável;

Nunca seja egoísta, vaidoso e desumano;

Expresse seus próprios valores, atitudes e opiniões com base bíblica;

Apresente-se sempre da melhor maneira possível;

Numa conversa veja-se sobre o ponto de vista da outra pessoa;

Reflita sempre antes de falar;

Saiba usar o conhecimento posicionando-se humildemente;

Não seja tímido ao falar a verdade, o evangelho e de si mesmo, mas cuidado com a empolgação;

Fale de suas realizações, mas não exagere e não emita auto-elogios;

Em todas as situações expresse sempre a disposição para ajudar;

Evite conflitos na conversa, coloque o seu ponto de vista e respeite o da outra parte;

Estabeleça relacionamentos saudáveis, encontrando a dosagem certa entre cristianismo e companheirismo;

Se você faz parte da confraria dos fofoqueiros ou murmurados, reveja seu papel e mude de lado;

Fuja do impulso natural de tirar vantagem de alguém em posição vulnerável. Leve sempre em consideração o amor ao próximo;

Respeite a hierarquia, seja leal e fale bem da sua igreja, seus líderes e seu departamento. Não esqueça: Ninguém aprecia ou respeita o bajulador;

Pratique sorrisos e faça oração diariamente.

Souza, Marcos Eliezer da Silva. O Caráter do professor de Escola Bíblica Dominical. Texto de Educação Cristã. Belém, 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Grande Engano | Artigos | Chamada

O Grande Engano Artigos Chamada

Encontrei este texto na internet http;//www.chamada.com.br e goste muito do seu conteúdo... leia, reflita e tome cuidado com os seus irmãos que se dizem amigos......


sábado, 11 de setembro de 2010

Teologia do Antigo Testamento I (2ª Parte)

II) A LEI DE DEUS:

Segundo tradições antigas, a maioria das traduções modernas emprega o termo “lei” para traduzir o vocábulo de origem hebraica tôrâ. Esse vocábulo está ligado ao verbo hebraico hôrâ que significa “instruir”, “ensinar” ou “instruir em” que, por conseguinte, pode ser traduzida como “instrução”. É o que atesta o texto sagrado de Provérbios 3.1: “Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu guarde os meus mandamentos”.

Segundo William Lasor os dez mandamentos não podem ser entendidos como lei no sentido moderno, pois não são definidas de modo claro e nem contém penalidades. São, antes, “diretrizes legais”, uma formulação básica do tipo de comportamento que a comunidade se dispõe a manter por obrigação. Quando o povo de Israel aceitou a aliança, surgiu a necessidade de colocá-los numa forma mais condizente com “leis”. Esse desdobramento é encontrado no “livro da Aliança” (Êx 20.13-23.33). Um exame minucioso mostra que a maioria das especulações de Êxodo 20.1-17 se repete nessa seção em forma de leis específicas. (Cf Lasor, 1999).

III) OBJETIVO DA LEI MOSAICA:

Quando Deus livra Israel de terras estranhas sob pesada e cruel servidão e propõe uma grande nação livre, próspera e abençoada, Ele apresenta um conjunto de leis espirituais, sociais e civis que, além de renovar sua aliança feita com Abraão, estabelece princípios de sincera e completa obediência a sua vontade bem como se apresenta com símbolo divino de mais alta lealdade e amor a fim de que o seu povo pudesse andar em plena comunhão com Ele. (Cf Archer Jr., 1988).

A Lei mosaica não pode ser entendida como um meio de salvação para com Israel. Esta nação já havia sido salva do Egito e já era povo de Deus. Agora o Senhor desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo o seu povo e a ter uma relação mais intima com Ele.

Ao analisar a passagem de Êxodo capítulo 19 e 20, observa-se a presença de Deus em pleno deserto buscando uma oportunidade para estabelecer relações estreitas com seus filhos. Entende-se que Ele busca uma unidade com este povo que, apesar de serem peregrinos em terras estranhas, os ama muito e têm promessas dadas aos seus pais para cumpri-las. Para isso propõe uma aliança através da observância de um decálogo.

Deus, portanto, entrega ao povo de Israel um código sintetizado em dez frases muito breves, porém completos, onde estão imbricados a moral e a religião, tão livres de peculiaridades locais ou nacionais e tão estreitamente relacionados com deveres fundamentais para a existência de uma sociedade civilizada. Segundo Stanley Ellisen, os dez mandamentos, estão fundamentados em dois objetivos:

1. REVELAR OS PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS E MORAIS DE DEUS: Quando Deus se manifestou a Moisés e ordenou que apresentasse ao povo de Israel a Lei, Ele estava oferecendo um novo modo de vida para que aquela nação pudesse experimentar e, que, esses princípios fundamentais da lei divina, tinham por objetivo revelar a santidade de Deus e a determinação de que o seu povo também deveria se santo (Cf Mt 5.17 e Rm 3.31). Evidentemente, a nação agora viveria embasada em princípios espirituais e morais estabelecidos diretamente do Eterno Deus. Isto é, Israel doravante estaria estreitamente relacionado com deveres fundamentais de Javé aceitando-o como Rei e Senhor.

2. ESTABELECER ALIANÇA ENTRE O SENHOR E SEU POVO: Quando Moisés fala ao povo todas as palavras que o Senhor o havia ordenado (Êx 19.7) o povo aceita fazer aliança com Deus afirmando solenemente: “Tudo o que o Senhor falou faremos” (v. 8). Sendo assim, o plano de aliança de Deus com o povo estava estabelecido e como tal era condicional e temporário e, sobretudo, um teste para saber se o povo aceitava a Deus como o Senhor da aliança. Se Israel prestar obediência ao Decálogo virá e continuará sendo o povo especial de Deus. Assim disse o Senhor: “Se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança” (Êx 19.5).

IV) A ALIANÇA COM ISRAEL NO SINAI:

A palavra hebraica berîl é aliança. É um meio de estabelecer um relacionamento (que não existe por vias naturais) sancionado por um juramento proferido numa cerimônia de ratificação. Todos os elementos que formam uma aliança estavam presentes no monte Sinai entre Deus e o povo de Israel. A palavra aliança aparece 275 em todo o Antigo testamento, sendo 80 vezes só no Pentateuco. (Cf LASOR, 1999 & Smith, 2001).

Segundo Êxodo 2.23-24 “... os filhos de Israel gemiam sob a servidão e por causa dela clamaram, e o seu clamor subiu a Deus. Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Izaque e com Jacó”. Sendo assim, a aliança que Deus fez com o povo de Israel no monte Sinai é apresentada no Antigo Testamento como uma extensão ou cumprimento da aliança que Deus fez com Abraão.

É em Êxodo capítulo 19 a 24 que encontramos uma das mais importantes passagens do Pentateuco e por que não dizer do Antigo Testamento sobre aliança. Smith cita Terrien afirmando que “poucas páginas na literatura da humanidade comparam-se a essa descrição impressionante de um encontro entre Deus e o homem” (Cf Smith, 2001).

Nesta passagem Deus oferece uma aliança a Israel, com a qual todo o povo concordou. Moisés foi o mediador entre Deus e o povo de Israel (Êx 19.3-9). Na manhã do terceiro dia, Deus desceu sobre o Sinai em fogo, fumaça, nuvens, trovão e terremoto (Êx 19.16-25). Então Javé proclamou os Dez Mandamentos da aliança (Êx 20.1.17). Portanto, a lei da aliança foi dada e o acordo entre Deus e o povo de Israel foi selado com sangue sacrificial e com uma refeição comunitária. (Êx 24.1-18).

É importante destacar que, em um aspecto, a aliança do Sinai difere da aliança feita com Abraão. Segundo William LaSor, o que difere é apenas na parte que fica obrigada pelo juramento. Na aliança abraâmica, Deus se coloca sob juramento, obrigando-se a cumprir promessas irrevogáveis feitas a Abraão e sua posteridade. Na aliança do Sinai, Israel faz o juramento e a obrigação é obediência às estipulações da aliança (Cf Lasor, 2003).

Nesta singela ocasião em que o homem tem a oportunidade de estar diante do seu Senhor, Israel comete um desagravo diante de Deus. Antes de deixar o monte Sinai, o povo de Israel quebrou a aliança com Deus fazendo um bezerro de ouro e cultuando-o (Êx 32.3-8). Houve, portanto, um julgamento divino e arrependimento por parte do povo em que, o mediador Moisés, intercede a Deus para que Ele renove a aliança com Israel (Êx 34.10.27-28).

No decorrer da odisséia da nação israelita no deserto, a aliança do Sinai é outra vez renovada, agora com a segunda geração do povo de Israel. Como o povo peregrinou, aproximadamente, 40 anos, a geração que saiu do Egito foi toda sepultada nas terras áridas do deserto e, portanto, não entrou na terra prometida. Ou seja, os sobreviventes da peregrinação antes de entrarem na terra de Canaã, registra Deuteronômios, renovam a aliança do Sinai. (Dt 29.14-15).

V) CONSIDERAÇÕES:

A Lei de Moisés foi para a nação israelita com um “plano de aliança” de benção ou punição. Se o povo obedecesse a Javé seriam abençoados, mas se as observâncias à lei mosaica fossem deixadas de lado o povo seria severamente punido. Sendo assim, a aliança estabelecida com o povo de Israel teve como fator determinante à obediência aos Dez Mandamentos.

Como não houve obediência, Deus pôs fim ao Decálogo. A Lei de Moisés, portanto, teve seu fim na cruz do calvário quando o Senhor Jesus Cristo morreu e se tornou o Sumo Sacerdote, pondo, então, fim ao sacerdócio arônico e à Lei (Cf Hb 7.12). É o que atesta o profeta Jeremias quando anunciou que o Senhor faria uma nova aliança com Israel e Judá, isso, depois que a nação passasse por um período de grande aflição e, conseqüentemente, a comunhão com Deus fosse estabelecida (Cf Jr 31.31-34; 32.37-41).

Os dez mandamentos, por conseguinte, foram por Jesus resumidos em dois mandamentos, que são: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37,39).

VI) CONSULTA BIBLIOGRÁFICA:

DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. Edições VIDA NOVA. São Paulo, 1995.
ELLISEN, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. Edições VIDA. São Paulo, 2000.
Jr. ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? Edições VIDA NOVA. São Paulo, 1988.
LASOR, William S. Introdução ao Antigo Testamento. Edições VIDA NOVA. São Paulo, 2003.
SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento. História, Método e Mensagem. Edições VIDA NOVA. São Paulo, 2001.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Faculdade Gamaliel realiza curso de teologia

A Faculdade Gamaliel realizou neste final de semana, 03, 04 e 05 de setembro em Bragança-PA mais um módulo do curso de teologia. A disciplina ofertada foi Teologia do Antigo Testamento I, que desta feita foi ministrada pelo professor Marcos Eliezer Souza. A turma conta com 36 alunos sendo 16 pastores. Entre eles estar o pastor presidente da Igreja Assembleia de Deus em Bragança, pastor Carlos Ary Alves Gomes, o anfitrião da Faculdade Gamaliel.

Segue subsidio da disciplina ministrada:

INTRODUÇÃO:

O Antigo Testamento fornece grandes e formidáveis conhecimentos sobre a origem e a organização da nação de Israel. Descreve sua aliança com Abraão, sua descendência, linhagem, cultura, costumes e princípios religiosos, bem como sua trajetória no Egito, deserto, terras estranhas, exílio e pós-exílio.

O cânon judaico (Antigo Testamento) está dividido em Torah, profetas e escritos. A Torah também chamada de “Pentateuco” constitui-se a primeira e mais importante divisão do cânon sagrado. O termo “Pentateuco” vem da versão grega que remonta ao século II a.C., cujo significado é a coleção de cinco livros que são Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Segundo a tradição judaica é chamado de “a Lei” ou “Lei de Moisés”, isso porque a legislação mosaica constitui parte importante dos cincos primeiros livros da Bíblia.

Há dois séculos teólogos e eruditos de tendência racionalista criaram a Teoria Documentária da Alta Crítica, segundo a qual o Pentateuco é uma compilação de documentos redigidos, em sua maior parte, no período de Esdras (444 a.C.). As compilações do livro Gênesis, por exemplo, são provavelmente notas biográficas anteriores que foram transmitidas de geração para geração e posteriormente incorporados aos escritos de Moisés.

Quanto ao povo israelita, entende-se que já era numerosa gente quando da liberdade do Egito tornando-se, portanto, uma grande nação. No período do êxodo, ao palmilharem pelas estradas do deserto, tiveram um maravilhoso encontro com Deus diante do monte santo, quando se estabeleceu a aliança. O povo, então, se propôs a ter sincera e completa obediência à vontade de Javé, andando em comunhão com Ele.

Dentro deste universo religioso este trabalho acadêmico tem como proposta discorrer sobre Decálogo, lei divina que se estabeleceu como o limiar entre Deus e os homens. Se o povo buscasse obedecer aos princípios divinos, estariam seguros, mas se procurassem outros deuses seriam punidos por Javé.

O decálogo apesar de ser de precedência bíblica e escrito originalmente pelo dedo de Deus pode-se afirmar que nenhum outro código já escrito tenha tanto valor e permaneça incontestável há tantos séculos. Também conhecido como Lei de Moisés é o documento escrito que mais tem tido influência nas leis morais e judiciárias da sociedade, ou seja, leis irrevogáveis que são determinantes para a edificação e sustentação de uma comunidade.

I) O DECÁLOGO NO SINAI:

O povo de Israel após ter obtido o livramento no mar de juncos quando Deus ordenara que Moisés levantasse a vara e de modo milagroso pusesse atravessar o mar por terra seca, o povo de Israel viajou até ao monte santo (Também conhecido como Monte Sinai, sua localização é incerta. Por as tribos israelitas não deixarem atrás de si nenhuma população sedentária que perpetuasse os nomes dos lugares por eles visitados, são raros os nomes do período mosaico que pudessem ter sobrevivido à nomenclatura arábica da região. Entretanto, algumas montanhas de granito perto de Jebel Musa (árabe: “montanha de Moises”) e do Mosteiro de Santa Catarina continuam sendo o lugar mais plausível do monte Sinai. A Bíblia deixa claro que o monte ficava bem ao sul de Cades-Barnéia (Dt 1.2; I Rs 19.8). (Cf LASOR, 1999)). O libertador de Israel, Moisés, subiu ao monte para se encontrar com Deus e ali receber de Deus os dez mandamentos.

O termo “dez mandamentos” é entendido no original hebraico (Cf Êx 34.28; Dt 4.13 e 10.4) como: “as dez palavras” expressão de que provem o termo “decálogo”. O expoente texto, lei mosaica, está escrito por duas vezes no Antigo Testamento uma em Êxodos 20.1-17 e outra em Deuteronômios 5.6-21.

No livro de Êxodo, os dez mandamentos, estão colocados no início do conjunto de leis promulgadas pelo Senhor no monte Sinai. Em Deuteronômios, ao contrario, é repetido como parte do discurso que Moisés dirigiu aos israelitas em Moabe, quando estes se preparavam para cruzar o rio Jordão (Dt 1.5).

O decálogo foi originalmente proferido pela voz divina no monte Sinai para ser ouvido e seguido pelo povo de Israel (Êx 19.16-20.17). Deus se apresentou a Moisés no monte santo e ali, por duas vezes seguidas, escreveu de próprio punho a Lei divina no verso e no inverso de duas tábuas de pedra (Êx. 31.18; 32.15,16). O primeiro par de tábuas foi quebrado por Moisés em indignado simbolismo pela gravidade do pecado de Israel quando adorou o bezerro de ouro (Êx 32. 19). O segundo par de tábuas foi depositado na arca (Êx 25.16; 40,20).