segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uma Leitura Bíblica dos Presbíteros da Igreja



A igreja do Senhor Jesus, ao longo de sua história sempre se utilizou de obreiros para realizar a obra de Deus. São servos vocacionados, capazes e dedicados em apresentar um trabalho eclesiástico com excelência ao lado de seus pastores. Partindo desta assertiva, o objetivo deste esboço é estudar, orientar e instruir, a partir do pensamento bíblico, as qualificações e o papel ministerial dos presbíteros.
 Segundo o dicionário da Bíblia de Almeida, a palavra grega presbyteros quer dizer ancião, termo este usado para os líderes cristãos da igreja primitiva sem referência, especificamente, a sua idade, mas a atuação ministerial na direção das igrejas, no ensinamento da doutrina cristã e na pregação do evangelho. São os escolhidos e preparados por Deus para auxiliar o pastor na direção da igreja, sobretudo, no cuidado das necessidades espirituais.
O presbitério surge, necessariamente, com o crescimento da igreja segundo a direção de Deus, através da apresentação do pastor e/ou ministério e recebendo a aprovação da igreja, a fim de exercer o ofício de acordo com as qualificações espirituais estabelecidas pela Palavra. Este deverá exercer seu papel em total dedicação, princípio bíblico, submissão e voluntariedade a Deus e a liderança eclesiástica (Atos 20.17,28; 1 Timóteo 3.1-7; Tito 1.5-9).
I.   QUALIDADES ESSENCIAIS A UM PRESBÍTERO DA IGREJA:
1.    SER VERDADEIRAMENTE SERVO DE CRISTO: Nenhuma função ministerial, por mais importante que seja, permite exercê-la plenamente sem o espírito de servo. Quando atuamos na obra de Deus buscamos a aprovação de Deus e não dos homens, logo, devemos agir ordeiramente procurando servir e agradar a Deus. Entendendo ainda, que jamais um ministro do evangelho pode agir conforme o seu interesse ou de terceiros e, ao mesmo tempo, agradar a Deus (Gálatas 1. 10-12; 1 Coríntios 4. 3-6). Apóstolo Paulo considera que é seu dever falar não para agradar aos homens, mas a Deus que prova e conhece o nosso coração (1 Tessalonicenses 2. 4; Atos 5. 29; Efésios 6.6 e Colossenses 3.22);
2.    SER IRREPREENSÍVEL: Irrepreensível do grego é anepilemptos que significa literalmente “que não se pode atingi-lo”. É alguém de conduta aprovada, inculpável e que não há necessidade de ser repreendido, pois é um obreiro de espírito não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento e nem ávido por lucro desonesto. Por ser, verdadeiramente, servo de Deus possui os mais altos padrões morais e bíblicos para o ministério da igreja, com aptidão ao exercício da justiça, temor, piedade, santidade e modelo de vida aos crentes (Tito 1. 7; Filipenses 1.1);
3.    HOMEM DE UMA SÓ MULHER E QUE GOVERNE BEM SUA FAMÍLIA: A expressão bíblica “marido de uma mulher” supõe uma fidelidade especial ao conjugue e, segundo o comentário da Bíblia de Estudo Almeida provavelmente deva ser entendida no sentido de não haver-se casado pela segunda vez. Portanto, o obreiro deve ser alguém capaz de amar apenas sua esposa e que gerencie plenamente sua família. O obreiro que governa bem a sua casa poderá do mesmo modo cuidar da igreja do Senhor Jesus. Agora se sua esposa ou seus filhos vivem familiarmente na base da afronta, do medo ou da ameaça, conseqüentemente, se vier a exercer liderança cristã fará dos filhos de Deus súditos de um governo egocêntrico, autoritário e ameaçador desencadeando numa igreja fria, insegura, amedrontada e doente. Respeito e consideração são elementos importantes na reputação de um obreiro tanto na sua casa como na igreja que serve. Portanto, o modo como age cotidianamente um presbítero perante Deus, a sociedade e a sua família determinará seu sucesso ou seu fracasso diante da igreja. Que o corpo ministerial de nossas igrejas possua homens amáveis, educados, cordiais, para que possam ser estimados por todos e dignos de honra (Tito 1.6; 1 Timóteo 3.2, 4, 5; 5.17);
4.    QUE SEJA SÓBRIO: Esta é uma expressão que aparece seis vezes no novo testamento cujo vocábulo grego é nephós que significa literalmente “manter a mente limpa, ser sábio” significando também segundo o grego clássico “abster-se de vinho” (1 Timóteo 3. 2, 6,7). Portanto, exercite sua mente com o conhecimento da Palavra, buscando sempre obedecer a voz de Deus, mantendo o equilíbrio sábio e coerente com os deveres eclesiásticos, sua chamada e a pureza cristã diante do ministério e do pastor. Não permita que o adversário dos ministros de Deus venha lhe tragar pela corrupção, avareza, inveja, ciúme, divisão e divergência ministerial trazendo duras conseqüências para sua vida, ministério, igreja e família (1 Pedro 5. 8);
5.    QUE POSSUA APTIDÃO PARA ENSINAR: Um dos critérios para que um obreiro possa ter um autêntico ministério eclesiástico é a capacidade de ensinar. Se um homem tem vocação para exercer o presbitério deve ter habilidade, em algum grau, para instruir seus liderados, sobretudo, através da doutrina, dos princípios e do conhecimento da palavra de Deus. Entendo que o obreiro que almeja o presbitério e não tem desejo ou favor algum pelo ensino não deve exercer o episcopado a ponto de, se puder, servir no reino de Deus sem passar pelo ministério. Apóstolo Paulo descreve que quem deseja o episcopado que seja apto para o ensino (1 Timóteo 3.2; 5.17; Tito 1.9). E, digo ainda, que seja apto para aprender.
6.    QUE SEJA UM OBREIRO CHEIO DO ESPÍRITO SANTO, DE SABEDORIA, DE FÉ E GRAÇA: Cabe a cada obreiro não se acomodar diante das responsabilidades eclesiásticas, é preciso buscar o poder divino e a intimidade com Deus. Que seja um obreiro convertido, de oração, dedicado aprendiz das Escrituras e um exemplo de vida cristão. Que esteja sempre disposto a aprender a palavra de Deus através do estudo diário e sistemático da Bíblia e, que possua ainda formação teológica para melhor exercer o ministério. O pastor, o ministério e a igreja sempre precisarão dos melhores homens e não dos que não conseguem fazer quase nada ou que, presumidamente, se dizem “prontos” e não têm nada a aprender. Tenham o conselho do profeta Oséias: conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor (Oséias 6.2a), o do Apóstolo Tiago quando diz: Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça a Deus (Tiago 1.5) e de Paulo: E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.2 e cf Pv 3.13);
7.    AMIGO DO PASTOR, DO MINISTÉRIO E DA IGREJA: Infelizmente, em não poucas igrejas, presbítero é sinônimo de divisão e desgosto pastoral. Intitulam-se xerifes da verdade e justiceiros das leis do próprio Deus, tomando uma postura imatura e se colocando acima do bem, pensando que seu papel é controlar e dizer o que seus superiores devem ou não fazer. Muitos, pela mente já cauterizada pelo domínio das trevas, agem com ações maléficas destruindo a imagem e o bom nome da igreja do Senhor Jesus Cristo.  Para outros, ser presbítero é fazer do púlpito arena de luta e o ambiente da igreja trincheira de guerra exercendo um comportamento agressivo e oponente ao pastor, ministério, igreja e até a convenção de ministros. É preciso saber que defender os princípios eclesiásticos e bíblicos implica preservar a humildade, a fé, a santidade, a ética, o temor a Deus e o respeito à igreja do Deus vivo. Sugere ainda amar, respeitar e manter a unidade eclesiástica segundo a Palavra. Por isso, desenvolva relacionamento saudável, de confiança e de respeito com a igreja, com o ministério e com o pastor da igreja. O sucesso de um ministério exige transparência, espírito cooperador, moderação, paz e concordância (Tito 1. 8; 2.9, 10; Efésios 4.31,32).
II.  ATITUDES ERRADAS DE UM PRESBÍTERO:
1.    SEDE DE PODER: Muitos líderes ao assumirem um cargo perdem as qualidades essenciais e passam a cobiçar o poder. O desejo de ser aquilo para o qual não foi chamado desencadeará em dominação autoritária sobre aqueles a quem deveria servir. Como conseqüência do abuso excessivo de sua autoridade perderá sua liderança, a comunhão com o Espírito Santo e a atuação biblicamente diante do rebanho do Senhor. Antes, o presbítero deve servir a igreja com humildade, perseverança, retidão, vigilância, oração, amor, bondade e total devoção a Cristo;

2.    REALIZAR REUNIÃO MINISTERIAL SEM A APROVAÇÃO OU PARTICIPAÇÃO DO PASTOR: Alguns obreiros afoitos e imaturos em questões conflituosas com o ministério pastoral, chamada ministerial, pecados e escândalos praticados por certos líderes, tornam-se contraditórios quanto ao entendimento bíblico das conseqüências de quem prevarica diante do povo de Deus. Muitas vezes, partem para tomadas de decisões sem qualquer participação ou reconhecimento do líder maior da igreja pela simples promessa de ascensão ministerial ou consagração ao santo ministério pastoral oferecidas por certas autoridades eclesiásticas. Outros realizam verdadeiras cruzadas, indo de casa em casa promovendo motins e até abaixo-assinado, a fim de, resolver questões eclesiásticas delicadas, esquecendo que o melhor expediente para solucionar problemas internos da igreja, sobretudo, ministerial deve ser através da oração, vigilância, dialogo e aconselhamento para só assim evitar divisão na igreja, dissensão ministerial e escândalo para a obra de Deus. Se seu líder faz algo inconveniente que vem trazendo graves escândalos à obra de Deus não se una aos desafetos de outras lideranças, mas desenvolva o princípio do aconselhamento, orientação e acordo, promovendo assim equilíbrio, espírito cristão e ética ministerial. Quem age através destes expedientes procuram para si mesmo o descrédito e a ruína de seus ministérios trazendo desconfiança e isolamento da igreja e demais líderes. Cuidado com o espírito de Coré, Datã e Abirão (Números 16.29-33), como também o de Nadabe, Abiú (Levítico 10.1-2), Uzá (2 Sm 6.6-7) que, infelizmente, ainda se manifesta no meio do povo de Deus.

3.    AGIR LIVREMENTE COMO SE FOSSE O PASTOR DA IGREJA: Presbítero não é pastor e pastor não é presbítero, apesar da grande semelhança bíblica e sociológica. O presbítero ainda que possua certa liberdade pastoral diante do rebanho do Senhor, precisa considerar que existe uma hierarquia ministerial que precisa ser honrada, respeitada e preservada. Outra questão eclesiástica é que apesar de existir situações na igreja em que o obreiro tem poder de tomar e promover soluções acertadas convém considerar a pessoa do líder maior seja no campo, no templo central ou nas congregações. Nunca foi desmerecimento consultar alguém quanto à solução de um problema. A beleza que sobressai da relação dos grandes líderes de Deus é a sua total obediência e humildade em consultar ao Senhor, mesmo em sua total convicção de estarem realizando sua missão de forma plena (Eclesiastes 3.9-12).

III.   O PAPEL DO PRESBÍTERO NA IGREJA ATUALMENTE:

1.    Atuar, quando solicitado, em diversas funções na igreja como: cargo de diretoria, dirigente de congregação, professor da Escola Bíblica Dominical, líder de departamentos, cooperador da parte administrativa da igreja e outras atividades afins;
2.  Atuar na elaboração, organização e execução de eventos da igreja como congressos, conferências, cruzadas evangelísticas, campanhas, projetos, batismo nas águas e etc;
3.    Administrar, cuidar, preservar e zelar pelos bens móveis e imóveis da igreja;
4.    Auxiliar na organização e distribuição da santa ceia no templo central e congregações;
5.  Atuar quando necessário, por diversos meios na arrecadação de fundos para a igreja conforme determinação pastoral;
6.   Quando necessário cooperar na assistência social, serviço de construção e estruturação de prédios, congregações e dependências da igreja e em outras atividades semelhantes;
7.    Dirige culto, evangeliza, ora, ensina e prega a palavra de Deus;
8.   Cabe ainda em conformidade com o pastor da igreja atuar na execução de cerimônias de casamento, fúnebre, quinze anos, bodas de prata, apresentação de crianças e outras cerimônias afins;
IV.  CONSIDERAÇÕES
O presbítero é aquele obreiro membro da igreja, de bom testemunho, ativo nos trabalhos do templo central e congregações. Um obreiro aprovado por Deus, pelo pastor presidente, ministério e igreja;
O presbítero é o obreiro consagrado ao santo ministério com grandes possibilidades a ordenação pastoral, desde que apresente chamada, idoneidade, obediência e testemunho cristão. Deve possuir espírito de servo com prontidão voluntariado para, sempre que for preciso, servir a igreja, sobretudo, às solicitações pastorais, sabendo que a recompensa virá do Pai Eterno;
O presbítero deve comportar-se de maneira inteligente, agradável e sincera. Deve dirigir-se a igreja do Senhor Jesus de maneira santa, educada, afável e prudente. Não deve ser antipático, agressivo ou atrevido, pois poderá ser compreendido com uma pessoa mal-educada e uma referência ministerial indigesta;
O presbítero é um obreiro com responsabilidade pessoal, organizado, limpo e zeloso. Precisa sempre manter sua aparência agradável, pois representa uma autoridade eclesiástica. Faz-se necessário ainda que seja alinhado no traje, no calçar e na higiene. Esses modos são imprescindíveis na função eclesiástica;
É dever do presbítero desempenhar sua função ministerial com lealdade ao pastor, ao ministério e a igreja. Deve possuir amor, compromisso, responsabilidade e dedicação evitando o esfriamento espiritual, a murmuração, os comentários prejudiciais ao seu ministério e prevenindo-se ainda de problemas pessoais com a família, a igreja e a sociedade;
Para aqueles que governam baseado no sistema mercantilista do toma lá da cá, infelizmente, presente em algumas organizações, sociedades, igrejas e convenções de ministros, entenda que, o propósito divino, é o motivo norteador para a chamada de homens tementes a palavra de Deus;
Levar alguém ao ministério eclesiástico não dever ser por interesse social, político ou econômico, mas que seja marcado pela vocação celeste e o desejo ardente e absoluto de realizar a obra de Deus;
Se alguém deseja o episcopado que seja pelo amoroso consentimento do rebanho de Cristo;
Não aceite acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas. Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que os outros tenham temor (1 Timóteo 5. 19,20);  
Para aqueles que desejam o episcopado excelente obra deseja é o que declara Apóstolo Paulo. Convém então compreender a importante declaração do expoente teólogo D. L. Moody: “o começo da grandeza é ser pouco. A ampliação da grandeza é ser menos. A perfeição da grandeza é ser nada”.

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