quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ana, modelo de mulher que ora





“Então Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló: e Eli, sacerdote, estava assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor. Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente. E votou um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos! Se, benignamente, atenderes para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei, por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha. Então respondeu Eli, e disse: Vai em paz; e o Deus de Israel te conceda a tua petição que lhe pediste. E disse ela: Ache a tua serva graça em teus olhos. Assim a mulher se foi em seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste” (1Sm 1.9-11,17,18).




O texto bíblico remete um exemplo de uma mulher que em tempo de aflição orou ao Senhor e obteve de Deus um grande milagre em sua vida. A história é de uma família israelita que servia ao Deus de Israel e de ano em ano subia a Siló para adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos. Ana, em uma de suas peregrinações, pediu a Deus para que lhe desse um filho e sua oração foi respondida. Nasceu Samuel, um milagre de Deus, que ao ser desmamado, foi levado a Siló e consagrado ao Senhor como nazireu (1Sm 1.23; 2.1).
O contexto sócio-político da época era sistema tribal, quando Israel ainda não era uma nação organizada. O povo vivia a época dos juízes que ao receberem orientação divina julgavam, orientavam e lutavam pelo povo de Israel. Era um tempo de grande e crescente degeneração (Jz 21.19-21; 1Sm 2.12-17, 22). Os filisteus, que nos últimos anos tinham aumentado em poder e número, eram praticamente donos do país, mantendo o povo em sujeição (1Sm 10.5; 1Sm 13.3). Com o nascimento de Samuel, o Senhor passou a revelar-se de diferentes maneiras. Samuel tornou-se o último dos juízes em Israel, sua fama e influência atingiram todo o Israel, pois ele fora divinamente chamado para ser profeta e sacerdote. Começou, então, um novo período na história do reino de Deus.

1. QUEM ERA ELCANA: Descendente da tribo de Levi (1Cr 6.33-38), seu nome significa “criado por Deus”. Morava em Ramataim de Zofim, chamada de Ramá, montanha de Efraim, região localizada a 10km ao norte de Jerusalém. Um levita da casa de Hemã, que embora pareça não ter exercido qualquer das habituais tarefas dos levitas, era um homem notável, obediente a lei, próspero e um esposo exemplar. Era "um efratita" (1Sm 1.1,4,8). Foi o pai de Samuel, o profeta (1Cr 6.27,34). Tinha uma união conjugal de poligamia, pois era casado com duas mulheres, Ana e Penina. A poligamia ou bigamia é a união conjugal de uma pessoa com várias outras, um costume comum em algumas famílias de Israel que não tinha amparo na lei de Moisés e nem aprovação no Deus de Israel. Tal prática, presente em outras culturas da época, acontecia quanto o chefe de família tinha condições, sobretudo, financeira de ter mais de uma mulher.
2. QUEM ERA ANA: Ana significa “graça”. Era a primeira mulher de Elcana, uma mulher sofrida, pois o Senhor lhe tinha cerrado a madre (1Sm 1.5). E, mesmo sendo estéril impossibilitada de dar filhos a Elcana, este a amava intensamente (1Sm 1.8). Ana sofria grande perseguição de Penina, que sua amargura lhe tirava a vontade de comer e lhe fazia chorar amargamente. Apesar de toda a sua aflição estava de continuo na casa do Senhor (1Sm 3,5,7). Era uma mulher piedosa (1Sm 1.15,16,20). Foi ela quem deu o nome ao seu filho. Era atribulada de espírito, viva triste, mas não era invejosa e nunca intentou o mal contra sua rival (1Sm 1.15,18).
3. QUEM ERA PENINA: Era a segunda mulher de Elcana. Era uma mulher rixosa, injusta e contendera, pois humilhava Ana por ser uma mulher estéril (1Sm 1.6,7). Elcana casou-se com Penina para que lhe desse herdeiro e dispensava um amor diferente do de Ana. Ou seja, Penina deu filhos a Elcana, mas não recebia o mesmo amor que Elcana dispensava a Ana.

4. TRÊS ATITUDES DE ANA PARA MUDAR DE VIDA:
4.1 ANA LEVANTOU-SE DO SEU ESTADO DE AMARGURA (1Sm 1.9): Certa ocasião em Siló estava Ana chorando por causa das injurias sofrida por sua rival Penina. Ao perceber Elcana que Ana lamentava-se perguntou: Ana, por que choras? e por que não comes? e por que está mal o teu coração? não te sou eu melhor do que dez filhos? (1Sm 1.8). A Bíblia diz que Ana tomou atitudes que deram um novo sentido a sua vida amargurada. Ana, portanto, se levantou “Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló” (1Sm 1.9). Parou de chorar amargamente e de passar fome e viver sem perspectiva (baixa-estima/1Sm 1.7);
4.2 OROU AO SENHOR (1Sm 1.10,12): Ana podia contar sua aflição ao seu esposo. Poderia queixar-se ao sacerdote Eli, mas não fez. Preferiu orar ao Senhor apresentando o seu sofrimento;
4.3 FEZ UM VOTO (1Sm 1.11): Diz a Bíblia que Ana votou um voto: “Senhor dos Exércitos! Se, benignamente, atenderes para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei, por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”. Quando a aflição chegar a tua porta clame por Deus. Faça um acordo com Ele. Disponha-se para Deus e Ele te ouvirá;

                                        5. MODELO DA ORAÇÃO DE ANA:


     5.1 OROU CONTANTO AO SENHOR AS SUAS QUEIXAS (1Sm 1. 10,11): Ana não murmurou. Não contendeu. Não contou a terceiros, apenas falou com Deus. Jó é um grande exemplo quando o homem apresenta a Deus suas queixas (Jó 7.11; 10.1);

5.2 CONFIOU QUE A VINGANÇA PERTENCE A DEUS (1Sm 2.1,5,8): Entregar aqueles que nos persegue nas mãos de Deus é a melhor atitude diante da adversidade. Ana confiou em Deus sabendo que o Senhor lhe daria vitória sobre Penina;
5.3 FEZ UM PEDIDO DENTRO DA VONTADE DE DEUS (1Sm 1. 11): Foi o Senhor que a fez estéril (1Sm 1.5). Logo, seria um trabalhar de Deus para a manifestação da glória do Deus de Israel. Ana, então, pediu segundo a benignidade de Deus. Ela só poderia ter um filho se Deus quisesse;
5.4 EM SUA ORAÇÃO NÃO HAVIA INVEJA, CIÚME OU DESEJO ORGULHOSO (1Sm 1. 10,11,15,16): O desejo de Ana estava no seu Deus. O desejo do coração de Ana era sua necessidade, mas estava diante de Deus sem prepotente ou desprezo com relação ao outro. Uma atitude diferente de Raquel, a mulher de Jacó (Gn 30.1,2);
5.5 FEZ UM PEDIDO NÃO PARA A SUA GLÓRIA, MAS PARA A GLÓRIA DE DEUS (1Sm 1.11): O filho que Ana pediu ao Senhor não era para ela, mas para a obra de Deus iria manifestada em Israel. Um filho não para a alegria de do pai Elcana, mas do Pai Celeste.
5.6 OROU COM HUMILDADE (1Sm 1.11): Quando há humilhação Deus se manifesta soberanamente. Quando Ana fala com Deus ela se apresenta como serva. No versículo 11 a expressão serva, se referindo a Ana, aparece três vezes. Poderia se apresentar com algum título que lhe era oportuno, mas não fez;
5.7 PERSEVEROU EM ORAÇÃO (1Sm 1.12): Muitos não sabem esperar em Deus. Quando o milagre não acontece logo, infelizmente, muitos param de confiar em Deus, buscam suas próprias opiniões ou soluções e deixam de esperar no Senhor. O melhor milagre na vida do crente é aquele que vem de Deus. Não faça atalhos para aquilo que Deus quer fazer em tua vida. Não faça como Sara que confiou numa serva egípcia lhe dar um filho. Faça como Ana espere no Senhor;
5.8 OROU COM O CORAÇÃO (1Sm 1.13): A oração de Ana foi com sentimento profundo a ponto de ser interpretada como uma mulher embriagada. A oração de Paulo aos irmãos efésios é um exemplo de oração com o coração (Ef 3.14-21);
5.9 UMA ORAÇÃO DE CONFIANÇA E DESCANSO NO SENHOR (1Sm 1.17-19): Quando Ana recebe a palavra do sacerdote Eli ela confia no Senhor e toma uma atitude: “Assim a mulher se foi seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste” (v.18). Ana muda seu estado de deserto. Ela levanta-se, alimenta-se e seu semblante já não é mais de tristeza, mas de uma mulher vitoriosa.
5.10 OBTEVE RESPOSTA NO TEMPO DE DEUS (1Sm 1.26-28):  Ana sai do templo confiante em sua oração atendida. Voltou para a sua casa e ai engravidou-se de seu esposo Elcana e só depois do período normal de gestação comum as mulheres foi que lhe nasceu Samuel (1Sm 1.19,20). Espere no tempo de Deus em sua vida. O que Ele faz é perfeito, portanto, deixe que ele faça o milagre no seu tempo.
                 6. ÚLTIMOS ATOS DE ANA
 
     6.1  CUIDOU DO MENINO ATÉ AO DIA QUE FOR DESMAMADO (1Sm 1.22-23): “Porém Ana não subiu; mas disse ao seu marido: Quando o menino for desmamado, então o levarei, para que apareça perante o Senhor, e lá fique para sempre. E Elcana, seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer em teus olhos; fica até que o desmames; tão somente confirme o Senhor a sua palavra: assim ficou a mulher, e deu leite a seu filho, até que o desmamou”.
     6.2  OFERECEU SACRIFÍCIO AO SENHOR (1Sm 1.24-25): “E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros, e um efa de farinha, e um odre de vinho, e o trouxe à casa do Senhor, a Silo, e era o menino ainda muito criança. E degolaram um bezerro: e assim trouxeram o menino a Eli.”
      6.3  CUMPRIU COM SUA PALAVRA (1Sm 1.26-28): Pagou o voto. Era do Senhor, por isso o entregou. O deu incondicionalmente como dedicação ao Senhor;
      6.4 ADOROU AO SENHOR (1Sm 2.1-10): Um dos últimos atos de Ana diante deste grande milagre foi adorar a Deus. Aqui neste texto está um belo hino de louvor e ação de Graças pelo feito do Senhor Deus em favor dos seus filhos.
      6.5  ANA AINDA TEVE OUTROS FILHOS (1Sm 2.20-21): “E Eli abençoou a Elcana e a sua mulher, e disse: O Senhor te dê semente desta mulher, pela petição que fez ao Senhor. E voltaram para o seu lugar. Visitou, pois, o Senhor a Ana, e concebeu, e teve três filhos e duas filhas: e o mancebo Samuel crescia diante do Senhor”. O total de filhos que Ana deu a Elcana foram seis filhos, sendo que Samuel significou o filho dedicado para uma obra especial de Deus em Israel.

2 comentários:

  1. que estudo maravilhoso.Deus abençõe seu ministerio sempre.amem

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  2. Muito bom! Que deus continue a abençoar.

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